domingo, 14 de novembro de 2010

História da Igreja: O primeiro século

História da Igreja: O primeiro século

Por Robert Hastings Nichols


1 – JESUS E A SUA IGREJA


[a] Jesus e seus discípulos

Jesus teve "compaixão das multidões" e lutou por alcançar, com o Seu ministério, o maior número possível de pessoas. Mas evidentemente sentiu que poderia fazer muito mais a favor do mundo, tendo ao Seu lado alguns homens escolhidos cheios do Seu espírito para continuarem a Sua obra, do que Ele mesmo levar todo o tempo em pregações públicas. Logo no início do ministério, Jesus convidou alguns para serem Seus companheiros e participantes da Sua missão.



Depois, dentre os que creram nele, fez escolha de doze, para serem Seus companheiros mais íntimos. Numa ocasião também escolheu setenta, aos quais preparou para o ministério especial da pregação. As relações de Jesus para com Seus discípulos, especialmente para com os doze, constituem uma das partes características mais importantes da Sua obra. A estes, ministrou ensinos que não deu aos demais de modo geral, e os preparou, de sorte que, após a Sua volta aos céus, esses apóstolos pudessem revelar um conhecimento perfeito do Mestre, do Seu ensino, da Revelação de Deus, e da Salvação que, pelo Filho, mandou ao mundo; e também a conduta de vida para a qual Cristo chamou todos os homens.


Próximo ao fim do Seu ministério, Jesus dedicou-se mais e mais a esta natureza de trabalho com Seus discípulos. Após a ressurreição apareceu somente aos seus discípulos. Suas últimas palavras foram uma ordem definida para que levassem o anúncio do Evangelho a "todas as nações" e uma promessa de assisti-los com poder, através de todos os tempos enquanto estives sem realizando a sua missão por todo o mundo.


[b] Jesus funda a sua Igreja

Evidentemente Jesus deixou clara a necessidade de haver uma sociedade constituída dos Seus seguidores a fim de oferecer ao mundo o Evangelho e ministrar em Seu espírito, os ensinos que lhes dera. O objetivo era propagar o Reino de Deus. Ele não modelou qualquer organização ou plano de governo para esta sociedade. Não indicou oficiais para exercerem autoridade sobre os membros de tal organização. Credo algum prescreveu para ela. Nenhum código de regras lhe fora imposto. Não prescreveu ordens em formas de culto. Apenas deu aos seguidores os ritos religiosos mais simples: o batismo, com água, para significar a purificação espiritual e consagração ao Seu discipulado; e a Ceia do Senhor, na qual usou um pouco dos elementos mais comuns da alimentação, como uma comemoração ou lembrança dele próprio, especialmente da Sua morte para a redenção dos homens.


Conseqüentemente, em nada do que Jesus fez podemos descobrir a organização da Igreja. Fez mais, do que dar organização: deu vida à Igreja. Ele fundou a Igreja, ou melhor, Ele mesmo a criou.


Jesus formou uma sociedade dos Seus seguidores, agrupando-os ao redor de si mesmo. Comunicou a esse grupo, até onde era possível, Sua própria vida. Seu espírito e propósito. Prometeu dar através dos séculos, vitalidade a esta sociedade, Sua Igreja. E Sua grande dádiva a ela foi o dom dele próprio. Nele, a Igreja teria de encontrar os seus princípios, os seus objetivos, o seu poder. Deixou a Igreja livre para escolher as formas de organização e de culto, afirmações de crença, métodos de trabalho, etc. O propósito de Cristo era que a vida da Sua igreja, isto é, a vida do Salvador latente em Seus seguidores, se expressasse pelos modos que lhes parecessem mais apropriados para a consecução do grande objetivo em vista.


2 - A IGREJA APOSTÓLICA (Até o Ano 100 A.D.)


[a] O começo

Num certo sentido, a Igreja Cristã teve seu nascimento quando Jesus chamou Seus primeiros discípulos. Comumente, porém, se diz que a História da Igreja teve início no dia de Pentecostes que se seguiu à ressurreição, pois foi quando teve começo a vida ativa da Igreja. Após a ascensão de Jesus aos céus, os discípulos, não obstante terem recebido ordens de anunciar o Evangelho ao mundo, permaneceram, todavia, quietos, tranqüilos em Jerusalém.


Estavam aguardando, segundo a ordem do Mestre, o poder prometido que viria do alto. Dez dias depois, no Pentecostes, o Espírito Santo prometido por Jesus veio sobre eles, revestindo-os de poder. Tornaram-se, após, testemunhas intimoratas do Mestre, plenos de nobre atividade.


Verifica-se tal mudança no próprio discurso de Pedro no Pentecostes. O que sucedeu a Pedro naquele dia expressa o espírito de todos os primeiros cristãos, daquele dia em diante. E desde então, a Igreja Crista, como uma comunidade destinada a dar testemunho de Cristo, vem proclamando o Evangelho, edificando o Reino de Deus na terra.


[b] A Extensão da Igreja

A primeira pregação do Evangelho, no Pentecostes, foi dirigida unicamente aos judeus. Por algum tempo talvez dois ou três anos, as missões cristãs eram limitadas aos judeus, começando em Jerusalém e daí estendendo-se a toda a Palestina. Os primitivos cristãos não perceberam logo a extensão do propósito divino, na salvação do mundo. Como hebreus, reconheciam que Jesus era o Messias esperado pelo Seu povo. Portanto o consideravam como Salvador somente ou principalmente dos judeus, apesar de Jesus, por palavras e atos, ter-lhes ensinado coisa diferente.


A perseguição foi o meio pelo qual a Igreja nascente chegou a uma compreensão mais segura do Evangelho que Jesus lhe dera a pregar, e por ela alcançou uma visão mais ampla da obra que Jesus lhe propusera. As autoridades judaicas que tinham tentado embaraçar a pregação evangélica levantaram-se por causa do audaz desafio que foi o discurso de Estevão, e empreenderam uma campanha selvagem, violenta e sistemática contra o Cristianismo, Com esse ataque, a comunidade cristã de Jerusalém que já contava alguns milhares, foi dissolvida. Seus elementos procuraram segurança, espalhando-se por toda a Palestina.


Não obstante fugirem para salvarem a vida e por causa da sua fé, levavam o Evangelho aonde quer que fossem. Alguns deles foram até à grande cidade de Antioquia, na Síria. Ali, os seguidores de Cristo foram, pela primeira vez, chamados "cristãos", nome que, parece, lhes foi dado por zombaria. Nesta cidade, vivendo no meio de uma população grega, esses exilados tornaram Jesus conhecido tanto de gregos como de judeus.


Desse modo certos crentes obscuros e desconhecidos deram o grande passo para tornarem o Cristianismo uma religião universal. Um pouco mais tarde essa Igreja de Antioquia enviou Barnabé e Paulo, os primeiros expressamente designados para pregarem Cristo aos gentios.


Foi Paulo quem concluiu, sob a direção divina, a obra de libertar o Cristianismo. Paulo realizou o que sempre estivera no propósito divino: fazer do Cristianismo uma religião para todos. Daí em diante foi o Cristianismo pregado a todos os homens no mesmo pé de igualdade.


Começando, assim sua grande carreira missionária, o Cristianismo espalhou-se, de sorte que pelo ano 100 A.D. havia igrejas em inúmeras cidades da Ásia Menor e em muitos lugares da Palestina, Síria, Macedônia e Grécia, em Roma e Puteoli na Itália, em Alexandria, e, provavelmente, na Espanha.


Paulo foi naturalmente o missionário que mais contribuiu para esse resultado. O Novo Testamento refere os nomes de alguns outros como Priscila e Áquila. O que a tradição relata sobre a pregação dos apóstolos leva-nos a pensar que todos eles deram testemunho intimorato, levando às plagas mais longínquas as Boas Novas, não obstante conhecermos com mais segurança, apenas o trabalho de Pedro e João.


Todavia, muito da tarefa heróica de tão grande esforço evangelístico foi realizado por discípulos e missionários cujos nomes desconhecemos. Cada crente era um missionário ansioso por oferecer a alegria de que gozava em Cristo, às pessoas que encontrava no trabalho, nas comunidades e em outros meios.


Em virtude do zelo que tinham em anunciar a Cristo e, muito mais ainda, pelo testemunho das suas vidas fiéis que anunciavam o poder de Cristo, esses cristãos desconhecidos foram os mais eficazes missionários sua religião.


[c] A vida da Igreja

Naquele tempo uma igreja cristã era comumente um pequeno grupo de crentes vivendo numa grande comunidade pagã. Quase todos eram pessoas pobres, alguns escravos, embora houvesse cristãos nas classes mais altas, especialmente na igreja de Roma. Em toda parte havia muita coisa que distinguia um cristão dos vizinhos pagãos. Eles se tratavam mutuamente por irmãos em Cristo e realmente agiam como irmãos. Cuidavam desveladamente dos órfãos, dos doentes, das viúvas, dos desamparados.


As coletas e a administração dos fundos de caridade constituíam uma das partes mais importantes da vida dessas igrejas primitivas. Dentro da Igreja todas as distinções foram abolidas. Escravos e senhores foram nivelados. As mulheres alcançaram uma posição de honra e de influência que jamais conseguiram na sociedade profana.


Distinguiam-se também os cristãos por um fervor e pureza moral jamais conhecidos em qualquer parte. As Epístolas de Paulo aos Coríntios nos falam de um povo que estava longe de ser perfeito como era de esperar daqueles recentemente convertidos do paganismo e que viviam no meio das suas tentações. Não obstante, as vidas dos cristãos gentios demonstravam o poder que tem o Evangelho de conceder aos homens uma nova justiça.


Além disso a atitude dominante dos cristãos era de contentamento e confiança admiráveis. Regozijavam-se no amor de Deus, o Pai, na comunhão com Cristo redivivo, no perdão dos pecados, na certeza da imortalidade. Assim desconheciam a tristeza e o desespero que oprimiam a vida de muitos que os cercavam. Esses característicos dos cristãos primitivos constituíam uma poderosa recomendação para o Cristianismo, promovendo o seu desenvolvimento.


Todos esses característicos derivavam parte do seu vigor da constante expectação em que viviam esses discípulos quanto a iminente vinda do Senhor, em glória visível, para restabelecer Seu Reino triunfante sobre a terra. A predominância desta esperança na Igreja apostólica nunca deve ser esquecida quando consideramos este período histórico da Igreja. É verdade que esses cristãos primitivos cometeram certos erros sobre este assunto da volta do Senhor, mas a esperança de que se achavam possuídos muito contribuiu para fortalecer e purificar suas vidas.


Os cristãos necessitavam de um auxílio especial, pois estavam constantemente expostos a sofrimentos por causa da sua fé. Muitas vezes foram assolados pelos judeus inimigos do Cristianismo. Os cristãos eram também odiados por muitos, por suas vidas constituírem permanente condenação dos costumes e conduta moral aos pagãos.


A partir de Nero (54 a 68 A.D.), o governo romano começou a hostilizar o Cristianismo, tentando eliminá-lo cruel e vigorosamente. Essa perseguição variava de intensidade a medida que variavam os governos. Consideraremos as razões dessa hostilidade no próximo capítulo. Não esqueçamos, porém, o fato de que durante a segunda metade do primeiro século o Cristianismo enfrentou o poder oficial como seu inimigo rancoroso.


Muitos cristãos, tanto famosos líderes como Paulo, como heróis outros desconhecidos receberam a coroa de martírio.


[d] O culto na Igreja

A pobreza e a perseguição impossibilitaram a igreja primitiva de construir seus templos durante o primeiro século, razão por que os cristãos se reuniam para o culto em casas particulares. Deduzimos das Epístolas Paulo, especialmente as enviadas aos Coríntios, que havia dois tipos de reuniões de culto.


Um era do tipo do culto de oração. O culto era dirigido conforme o Espírito os movia no momento. Faziam orações, davam testemunho, ministravam certos ensinos, cantavam Salmos. Aí apareceram também os primeiros hinos cristãos do primeiro século. Eram lidas e explicadas as Escrituras do Velho Testamento. Havia também leituras ou citações de memória dos atos e ensinos de Jesus. Quando os apóstolos enviavam cartas às igrejas, como as que encontramos no Novo Testamento, essas cartas eram lidas para todos. Nessas reuniões o entusiasmo do Cristianismo primitivo encontrou livre expressão. E esse entusiasmo às vezes era tão ardoroso que resultava em certa desordem. Eram admitidos os estranhos a essas reuniões e nelas alguns deles se levantavam confessando os pecados e a declarar que aceitavam a Jesus.


A outra era conhecida como a Festa do Amor ou Fraternidade. Era uma refeição comum, muito alegre e sagrada, símbolo de amor fraternal cristão. Dela somente os cristãos podiam participar. Cada um trazia a sua parte da refeição e estes elementos eram repartidos entre todos igualmente. Paulo repreende o egoísmo dos que comiam o que eles mesmos traziam e se recusavam a dividir o que tinham com os que não podiam trazer coisas tão boas.


Durante as rejeições as refeições o dirigente dava graças. Ao fim de tudo celebrava-se a Ceia do Senhor em que se usava uma parte do pão tinha sido servido na Festa. Esta reunião era no dia do Senhor, o primeiro dia da semana que os cristãos guardavam como a Festa para comemorar a ressurreição de Cristo. Não obstante haver bastante incerteza este assunto, é provável que, a princípio, a Festa do Amor fosse realizada à noite.


Já no fim do primeiro século a Ceia do Senhor foi separada da Festa do Amor e celebrada numa reunião matinal. Sabemos que no segundo século a Ceia do Senhor ou a Eucaristia era celebrada pela manhã do dia do domingo, chamado Dia do Senhor.


[e] A crença da Igreja

Na Igreja do primeiro século não se compuseram credos ou declarações formais de fé. O Credo dos Apóstolos só apareceu no segundo século. Para conhecermos a crença dos cristãos primitivos devemos recorrer ao Novo Testamento. Criam eles em Deus, o Pai em Jesus como o filho de Deus e Salvador; criam no Espírito Santo, de cuja presença estavam cônscios. Criam no perdão dos pecados. A base do seu ideal moral era o ensino de Jesus sobre o amor a todos os homens.


Aguardavam a volta de Jesus para exercer o julgamento final e dar a vida eterna a todos os que criam nele. Suas idéias doutrinárias, se assim as podemos chamar, eram muito simples. Todos os seus pensamentos sobre a vida religiosa tinham como centro a Pessoa de Cristo.


Duas influências levaram os crentes do primeiro século a cair em alguns erros doutrinários os quais, de certo modo, ameaçaram a pureza do Evangelho. Os "judaizantes" ensinavam que os cristãos deviam cumprir todas as cerimônias exigidas pela Lei Judaica. Paulo condenou-os porque viu que se o ensino deles prevalecesse, o Cristianismo não podia ser a religião de todas as raças.


Encontramos no Novo Testamento advertências solenes contra os erros do chamado Gnosticismo. Esta seita surgiu no primeiro século e veio depois se tornar muito poderosa. Consistia de uma estranha mistura de idéias cristãs, judaicas e pagãs. Era muito parecida com o Cristianismo de modo a confundir alguns crentes. Desta seita falaremos mais adiante.


[f] O governo da Igreja

As igrejas primitivas eram independentes, com governo próprio decidindo todos os seus negócios e problemas. Os cristãos insistentemente afirmavam que pertenciam à única Igreja Universal, pois todos eram um em Cristo, mas nenhuma organização de caráter geral exercia controle sobre as inúmeras igrejas espalhadas por toda a parte.


Os primeiros apóstolos eram reverenciados, em virtude do contacto que tiveram com Cristo e exerciam certa autoridade, como se verifica da decisão tomada quanto aos cristãos gentios e à lei judaica e como se vê no cap. 15 de Atos. Paulo exercia autoridade em virtude da sua posição de apóstolo e do seu trabalho extraordinário. Mas a autoridade desses homens não derivava do seu ofício, nem se expressava numa organização formal.


O Novo Testamento fala de oficiais que se ocupavam do ministério da pregação e do ensino. São conhecidos como apóstolos e profetas (1) e mestres, O nome de "apóstolo" não era restrito aos companheiros de Jesus, mas pertencia também a outros pioneiros do Evangelho que levavam as Boas Novas aos novos campos.


Os profetas e mestres ou doutores esclareciam o significado dos evangelhos as igrejas. Todos esses exerciam seus ofícios não peia indicação de qualquer autoridade, mas porque revelavam estar habilitados para tais ofícios pelos dons do Espírito Santo. O ministério desses oficiais se estendia a toda a Igreja, não era restrito a congregações particulares. Vemos muitos dos apóstolos e profetas viajando por toda a parte a serviço da causa. No primeiro século, a pregação e o ensino do Evangelho eram feitos principalmente por esses homens e por algumas mulheres, antes que por oficiais de igrejas locais.


O Novo Testamento fala de outra natureza de ministério que dizia respeito aos negócios das congregações. Sobre isto não sabemos muita coisa. Parece que não havia nenhum modelo de organização para todas as igrejas mas estas agiam livre e independentemente e seus métodos diferiam. Em algumas igrejas fundadas por Paulo havia dois grupos de oficiais: os anciãos ou presbíteros, também chamados de bispos, que eram superintendentes; o outro grupo era de diáconos.


Os anciãos ou bispos tinham o encargo do pastorado, disciplina e dos negócios econômicos. Os diáconos prestavam um serviço especial - o da beneficência. Os presbíteros presidiam à Mesa do Senhor e pregavam quando não estava presente algum apóstolo, profeta ou mestre. Esses oficiais eram escolhidos pelo povo porque revelavam os dons e a vocação do Espírito Santo para esse trabalho. Tal forma de distribuição de encargos não admitia qualquer oficial como os pastores atuais.


Parece que havia outras igrejas com diferentes formas de organização; em alguns casos a liderança estava com um indivíduo; noutros, o governo era congregacional.


(1) O autor omitiu a referência aos presbíteros docentes ou mestres e aos regentes que governavam com os docentes.

História da Igreja: O Cristianismo na América

História da Igreja: O Cristianismo na América

Por Robert Hastings Nichols


I. AS PRIMEIRAS TENTATIVAS

A - PROTESTANTE

Os huguenotes foram os primeiros a trazer o cristianismo ao atual território dos Estados Unidos. Em 1562, um grupo deles estabeleceu-se em Porto Roial, na Carolina do Sul. Em 1564-65 outro grupo se estabeleceu nas proximidades de Santo Agostinho, na Flórida. A primeira colônia foi abandonada; os habitantes da última foram massacrados pelos espanhóis católicos de Santo Agostinho.


B - CATÓLICO-ROMANA

1. Missões Espanholas

Santo Agostinho, a mais antiga cidade dos EE. Unidos, foi fundada pelos espanhóis em 1565. Dali desenvolveu-se um extenso trabalho religioso, por muitos anos, entre os colonos espanhóis e os índios. Mas logo que a Flórida tornou-se uma possessão inglesa (1763) esse trabalho quase que desapareceu.


Muito para o oeste, os dirigentes desse trabalho de cristianização também fundaram uma sede. Em 1598, os espanhóis vindo do México organizaram uma colônia no Novo México, a qual, como todas as suas colônias, era uma estação missionária. Os índios dessa região receberam uma imediata cristianização, porém fraca. Após uma terrível rebelião dos índios, em 1680, os espanhóis restabeleceram as estações missionárias, muitas das quais ainda são católico-romanas. Essa foi a origem do antigo cristianismo da população espanhola da região sudoeste dos EE. Unidos.


As missões franciscanas da Califórnia, entre os índios, vieram muito mais tarde. A primeira, em San Diego, foi fundada em 1769, e logo depois surgiram vinte outras missões católicas. Logo no início muito prosperaram. Os índios foram agrupados em comunidades onde recebiam instrução cristã e ensinos sobre agricultura e indústria e viviam sob estrita disciplina. Quando, porém, o governo mexicano, que então governava a Califórnia, libertou-os do controle dos frades (1834), a maioria dos índios logo voltou ao paganismo.


2. Missões Francesas

Depois da fundação de Quebec em 1608, os franceses iniciaram a colonização do Canadá com entusiasmo e muita rapidez. Um aspecto notável deste esforço era o trabalho religioso. Talvez este fosse mesmo o aspecto mais destacado da política dos colonizadores. Quebec e Montreal tornaram-se importantes centros religiosos com instituições ricamente servidas pelos melhores homens e mulheres que a igreja católica francesa podia enviar. As explorações dos Grandes Lagos e do Mississipi, realizadas por La Salle (1678-1682), revelaram aos franceses a possibilidade da fundação de um grande império.


Com este pensamento lançaram uma rede de postos ou estações militares, comerciais e religiosas, desde o Golfo de São Lourenço à foz do Mississipe. Muitos missionários, a maioria constituída de jesuítas, realizaram intenso labor, muito trabalhando ambos os lados desta linha de postos avançados. Lançaram os fundamentos de vários centros de trabalho ao longo dos Grandes Lagos, no Norte de Nova York, Ohio, Michigan, Wisconsin, Illinois e abaixo do Mississipe na direção da Luisiana.


Mas todas essas brilhantes realizações dos franceses anularam-se em 1763, quando a Inglaterra tomou posse do Canadá. Desta sorte, fracassaram dois grandes planos para a fundação de um império. Qualquer desses planos que tivesse vingado teria tornado o catolicismo romano dominador supremo na América do Norte. Os fundamentos religiosos dos Estados Unidos tinham de ser lançados pelos Protestantes.


II. AS TREZES COLONIAS

A - DESDE A FUNDAÇÃO AO GRANDE REAVIVAMENTO

1. Nova Inglaterra

A primeira tentativa de colonização na Nova Inglaterra, a segunda das treze colônias, foi realizada por, motivos puramente religiosos. Pelo ano de 1600, um grupo de pessoas religiosas de Lincolnshire, na Inglaterra, ficou desgostoso com a situação da Igreja Inglesa.


Como os puritanos, elas se opunham fortemente "ao fato que, tanto no culto como no governo, vinham prevalecendo formas e usos da igreja medieval: eram diferentes dos puritanos, porque sentiam que a Igreja da Inglaterra nunca podia ser reformada de modo a ser a verdadeira Igreja de Cristo e que, por isto, deveriam abandoná-la e estabelecer uma nova igreja.


Organizaram-se então como igreja, reunindo-se para o culto em dois lugares: em Scrooby Manor e em Gainsborough. Perseguidas por esta razão, fugiram em 1608 para a Holanda. Após alguns anos decidiram ir para a América. Neste sentido entraram em entendimentos com a Companhia de Londres, uma das duas organizações às quais Tiago I doara a Virgínia, que era uma grande faixa de terra americana na costa do Atlântico.


Em 21 de Dezembro de 1620, cerca de cem desses "Peregrinos”, desembarcaram do "Mayflower" na baía do Cabo Cod. Esta foi a fundação da Colônia Plymouth. Os colonos não precisaram de se organizar em igreja pois já constituíam uma, e sua vida eclesiástica prosseguiu sem interrupção. O ministro deles ficara na Europa, mas havia um grande líder religioso entre eles, o presbítero Guilherme Brewster. O primeiro ano da colônia foi de terríveis sofrimentos, mas prosseguiu sempre crescendo sob a sábia liderança do governador Bradford.


Desde a sua chegada, os puritanos dirigiram o trabalho de modo que lhe imprimiram aquelas mudanças que desejaram ver na Igreja Inglesa. Lá na Inglaterra, sob o governo do arcebispo Laud, a partir de 1625, foram terrivelmente perseguidos por adorarem a Deus pelo modo como julgavam certo. Depois de cinqüenta anos ou mais, as coisas estavam piores do que dantes.


Desaparecera de muitos a esperança de qualquer reforma. Ouvindo falar das Colônias na Virgínia e em Plymouth, julgaram que a América seria o lugar ideal para a liberdade religiosa. A primeira colônia (1628) permanente foi em Salem, Massachusetts. Pelo ano de 1640, quinze mil colonos puritanos viviam ali, como também em Boston e noutras cidades situadas na Baía de Massachusetts.


A Colônia de Plymouth foi principalmente constituída de gente consagrada, porém de baixa extração. Mas entre os puritanos da colônia da Baía de Massachusetts havia muita gente rica, de boa posição e esmerada educação. Esta colônia era constituída de gente excepcional, tanto quanto à moral e à religião, como pela coragem e inteligência.


Dentro de poucos anos surgiram duas novas e importantes colônias de puritanos. Uma chamada Connecticut, teve início perto de Hartford (1634-1636) e foi fundada pelos emigrantes de Massachusetts. A outra, New Haven, foi fundada (1638) por gente vinda diretamente da Inglaterra.


Desde que todos os elementos dessas quatro colônias eram unânimes quanto às opiniões religiosas, desenvolveu-se entre elas o mesmo tipo de vida religiosa. Não obstante haver muitos presbiterianos entre os colonos, as igrejas que eles organizaram eram todas Congregacionais, mas em Connecticut desenvolveram-se consideravelmente as idéias presbiterianas entre as igrejas.


O culto nas igrejas era isento de liturgia e celebrado com uma simplicidade rigorosa. A pregação constituía o elemento mais destacado do culto. Os ministros eram do mais alto padrão moral e de esmerada educação. Eram as pessoas de maior influência em suas comunidades. As igrejas exerciam uma disciplina rígida sobre a conduta dos seus membros.


A religião era a força dominante na vida do povo da Nova Inglaterra. Era uma religião puritana - solidamente bíblica, espiritualmente profunda, cheia de zelo e severidade, dominando todos os aspectos da vida dos indivíduos e das suas comunidades. Providenciaram logo sobre a organização de escolas primárias e secundárias e um Colégio (Harvard foi fundada em 1636); tudo isto assegurou a continuação de um alto padrão de religião inteligente e consciente que resultou no progresso das atividades destas importantes colônias.


Nenhum bem maior poderia ter vindo à vida religiosa americana e à vida mesma em todos os seus aspectos naquele país, do que estas influências que moldaram o caráter da jovem nação que começava a existir, a influência espiritual dessas colônias da Nova Inglaterra, influência puritana, de fé, de coragem, de consciência.


Não era propósito dos puritanos estabelecerem liberdade religiosa geral. Vieram para a América a fim de alcançar liberdade para o que eles julgavam ser a verdadeira forma de religião. Pensavam que todos nas suas colônias deveriam se submeter a essa forma de religião.


As Igrejas Congregacionais foram oficialmente organizadas. Foram cobradas certas taxas ou contribuições para a manutenção dos seus ministros. Em Massachusetts e em New Haven somente membros da igreja tinham direito ao voto. Não eram permitidas reuniões de caráter religioso, nem ensinos diferentes dos ministrados nas igrejas.

Os Batistas e os Quakers foram perseguidos. Quatro destes últimos experimentaram o martírio (1659-1661). Para o fim do século XVII começou a prevalecer melhor espírito de tolerância e desapareceram as perseguições.


A intolerância dos puritanos de Massachusetts deu lugar à fundação de Rhode Island. Roger Williams, um ministro mui instruído, eloqüente e de inteligência excepcional, foi banido de Massachusetts em 1635, por motivo de oposição política e certas declarações de caráter religioso. Acompanhado de alguns aliados estabeleceu-se em Providence. Tendo seguido os princípios batistas, organizou ali a Primeira Igreja Batista do Novo Mundo, em 1639.


Outros exilados por motivos de perseguição fundaram seus lares perto da Baía de Narragansett. Além dessas, foram organizadas a colônia de Rhode Island e Providence. Nestes lugares prevaleceu, desde o princípio, absoluta liberdade religiosa. O agrupamento religioso mais forte foi o dos batistas.


2. As Colônias do Centro

A colônia de Nova Holanda, depois Nova York, era simplesmente uma empresa comercial da Companhia Holandesa das índias Ocidentais. Os primeiros colonos, não sendo da melhor gente da Holanda, não demonstravam muito interesse nem aquele zelo religioso característico dos holandeses. Também a Igreja reformada da Holanda interessou-se pouco pela situação espiritual da colônia.


Nesta época foi organizada uma igreja reformada na ilha de Manhattan em 1628, quinze anos depois da fundação da primeira colônia. Não havia, porém, um ministro residente antes de 1633. Foi quando se construiu um templo de madeira e, em 1642, um de pedra e cal. Foi dessas origens que surgiu a grande Igreja (Holandesa) Reformada dos Estados Unidos. Ela demorou bastante para se tornar uma igreja vigorosa. Em 1660, quando havia dez mil habitantes nesta cidade, a Igreja já possuía seis ministros reformados.


Já nesse tempo, Nova York ou Nova Amsterdam como era então chamada, era uma cidade cosmopolita. Além de holandeses havia na cidade povos de muitas nações que tinham as mais diferentes organizações religiosas, pois o governo holandês permitiu ampla liberdade de culto. Havia huguenotes, puritanos da Nova Inglaterra, presbiterianos, escoceses, luteranos suecos e alemães, católicos-romanos e judeus.


A colônia tornou-se uma possessão inglesa em 1664. Embora o governo inglês não interferisse na Igreja Holandesa, todavia introduziu a Igreja Anglicana e a favoreceu. Esta foi a origem da poderosa Igreja Episcopal Protestante da cidade de Nova York. A Igreja da Inglaterra, contudo, não desenvolveu muita atividade por essa época. Por isso no início do século XVIII a vida religiosa de Nova York era débil.


A cidade de Nova Jersey teve na sua população primitiva diferentes elementos religiosos. Alguns tinham-se estabelecido ali antes de ela tornar-se uma possessão inglesa (1664). Depois certa gente selecionada da Nova Inglaterra veio habitar o leste da cidade; a maior parte desse grupo era presbiteriano. Depois um grande grupo de presbiterianos escoceses, deixando o seu país durante os "Tempos do Massacre" ("Killing Times"), fundou seus novos lares nesta região.


Os primeiros habitantes da parte ocidental da cidade que moravam principalmente em Camden e em Trenton, foram os Quakers. Durante o reinado de Carlos II (1660-1685) treze mil Quakers foram lançados na prisão e trezentos e trinta e oito morreram no cárcere como resultado dos ferimentos recebidos nos assaltos às suas reuniões.


Perseguidos na sua terra, vieram para a América porque vários deles que eram ricos, entre os quais Guilherme Penn, adquiriram terras e as ofereceram como um refúgio aos seus irmãos europeus (1676). Penn, um líder entre os Quakers, recebeu em 1681, de Carlos II da Inglaterra, uma grande faixa de terra na América. Ali fundou Penn uma colônia, para refúgio de seus companheiros de religião e também como empresa comercial.


Seu "Sistema de Governo" assegurava plena liberdade religiosa e civil, e oferecia terra a preços muito módicos. Dentro de poucos anos, milhares de Quakers ingleses e do país de Gales, gente do mais nobre caráter e profunda piedade, o melhor tipo de colonos, vieram para a Pensilvânia. Em 1700, a população era de vinte mil. E Filadélfia, fundada em 1682, já era uma cidade florescente.


A Liberdade religiosa da colônia de Penn atraiu outras pessoas perseguidas, além dos Quakers. Muitos membros de várias seitas alemãs que estavam sendo perseguidos por suas crenças religiosas, sendo a maioria constituída de menonitas e Dunkers (anabatistas), chegaram no começo do século XVIII. Um número ainda maior, de vários milhares, chegou em 1710, vindo do Palatinado (região do Reno).


Esta região tinha sido, pelos franceses e seus camponeses, reduzida à mais abjeta miséria em virtude de os huguenotes terem ali estabelecido os seus lares. Esta gente do Palatinado era constituída de membros da primitiva Igreja Reformada Alemã, Depois destes, muitos emigrantes alemães, inclusive muitos luteranos, vieram à Pensilvânia, não fugidos de perseguições, mas à procura de melhores condições de vida.


O território de Maryland fora doado por Carlos I, em 1634, a George Calvert, Lord Baltimore. Por muitos anos a colônia foi dirigida por ele e seus descendentes como uma empresa comercial. Os Calverts eram Católicos romanos liberais. Em parte, a fim de atrair elementos para a sua colônia, eles adotaram uma política de liberdade religiosa, desde o começo.


Dois Jesuítas vieram com os primeiros colonos e foram os primeiros padres romanistas que se estabeleceram nas treze colônias. A grande maioria desses colonos, todavia, era constituída de ingleses protestantes. Mais tarde vieram os puritanos presbiterianos expulsos da Virgínia, os Quakers e os presbiterianos irlandeses-escoceses, elementos esses que constituíram a guarda avançada da grande imigração desses povos. Algumas das igrejas do primeiro Presbitério, o de Filadélfia, organizado em 1706, estavam em Maryland.


Quando Maryland se tornou uma colônia real (1691), a Igreja Anglicana foi estabelecida. Foram recolhidos impostos para a sua manutenção e os que se opunham a isto eram privados dos direitos civis. Seu clero era muito inferior, e como força religiosa, era de pequena expressão.


3. O Sul

O primeiros colonos da Virgínia e das treze colônias (1607), não obstante não representarem numericamente um grupo respeitável, tinham, entre eles, um ministro evangélico digno da sua vocação. Este homem, Roberto Hunt, clérigo da Igreja Inglesa, dirigiu os trabalhos até sua morte. Assim, desde o começo, a Igreja Anglicana estabeleceu-se na Virgínia e permaneceu como a igreja da colônia. Contudo, nos primeiros anos, foi o elemento puritano da igreja inglesa que exerceu maior influência no governo da Virgínia.


Mas em 1631 foi indicado um governador que odiava o puritanismo e perseguiu os puritanos, expulsando a muitos deles. Além disso, o povo geralmente era muito diferente dos puritanos quanto ao caráter, especialmente quando começou a grande imigração de Cavalier. Depois da morte de Carlos I, milhares de ingleses que ficaram do seu lado contra o puritanismo, vieram para a Virgínia.

Na colônia exigia-se estrita conformidade com a Igreja da Inglaterra. Mas a igreja estava organizada e mantida com os impostos. Tinha uma vida religiosa débil porque os seus ministros, enviados da Inglaterra, eram de pouca influência na vida do povo. Nos começos do século XVIII, as condições religiosas eram muito desfavoráveis.


Em ambas as Carolinas, a do Norte e a do Sul, que foram colonizadas na última parte do século XVII, foi estabelecida a Igreja Inglesa. Mas na Carolina do Norte ela nunca veio a ser muito forte, e na do Sul representava somente uma pequena parte da população. Em ambas as colônias, os evangelistas Quakers, entre os quais estava o famoso George Fox, realizaram notável trabalho ao fim daquele século. Ambas as Carolinas receberam mais tarde grupos de pessoas portadoras da mais profunda vida religiosa — os huguenotes, suíços, alemães e escoceses-irlandeses, na Carolina do Norte; e Huguenotes escoceses e dissidentes ingleses, na Carolina do Sul.


Nenhuma das colônias teve uma origem cristã mais distinta do que a Georgia, fundada em 1733. O general Oglethorpe, filantropo inglês muito jovem, planejou a colônia como refúgio para as vítimas das leis injustas e de perseguição. A primeira gente a chegar foi um grupo de prisioneiros trazidos por ele, e um grupo de luteranos exilados vindo do arcebispado de Salsburg.


B - DESDE O GRANDE REAVIVAMENTO À GUERRA DA INDEPENDÊNCIA. 1728-1775 A. D.

O começo do século XVIII foi assinalado por um enfraquecimento religioso e moral nas colônias. Na Nova Inglaterra, esta condição era tão palpável que provocou muita tristeza e lamentação. Aquela convicção arraigada e aquele zelo da primeira geração de puritanos não se manifestaram nos seus descendentes, que não tinham tido a experiência inspiradora da vinda a uma nova terra à procura de liberdade religiosa.


As igrejas requeriam para admissão no rol de membros, o testemunho de uma experiência religiosa que poucos podiam alcançar. Razão por que somente uma minoria podia ser membro da igreja. A pregação mais comum salientava a inabilidade do homem para se aproximar de Deus e isto levou muitos ao desânimo.


Já vimos qual era a situação em Nova York. Na Pensilvânia, o Quakerismo, a forma religiosa dominante, tinha perdido muito do seu entusiasmo e ardor evangélico, talvez por motivo da grande prosperidade material. Em Maryland e na Virgínia, a Igreja Anglicana oficializada tinha pouco vigor.


Por essa época de desânimo veio o "Grande Reavivamento". Jonathan Edwards, jovem de extraordinários dons espirituais e grande poder intelectual, era pastor em Northampton, a primeira cidade de Massachusetts, depois de Boston. Em 1734, ele começou a pregar com poder extraordinário, procurando levar os ouvintes ao arrependimento e à fé.


Northampton foi verdadeiramente revolucionada e o reavivamento se espalhou pelas cidades vizinhas, de Massachusetts a Connecticut. Pouco antes disso, houve coisa parecida, embora fosse um movimento menos importante, em Nova Jersey.


Gilbert Tennent, pastor da Igreja Presbiteriana de New Brunswick, em 1728, começou a pregar de um modo que inspirou vitalidade espiritual à sua própria igreja e a outras nas circunvizinhanças. De 1739-1741, houve um reavivamento entre os puritanos e os presbiterianos escoceses de Newark.


Na Virgínia, apareceu um reavivamento espontâneo, sem pregação especial, como resultado da leitura de livros religiosos. Contribuiu para ele o trabalho de evangelistas presbiterianos e batistas. Enquanto esta nova vida espiritual ia se desenvolvendo em muitos lugares das colônias, o eloqüente George Whitefield veio fortalecer o movimento.


De 1739-1741 e de 1744-1748, ele pregou ao longo da costa, desde a Georgia ao Maine, conseguindo enormes auditórios e produzindo uma impressão espiritual profunda. Suas viagens foram seguidas pelo trabalho evangelístico que se espalhou na Nova Inglaterra, na região de Jonathan Edwards e outros ministros notáveis que lideravam esses trabalhos.


As populações das colônias foram todas abaladas e influenciadas por esse poderoso despertamento religioso. O número de membros das igrejas aumentou consideravelmente e foram organizadas muitas novas igrejas. As denominações congregacionais, presbiterianas e batistas muito cresceram em número e poder.


Surgiu o interesse missionário a favor dos índios. Davi Brainard realizou uma obra bem influente, embora fosse de pouca duração, a favor dos índios. Este trabalho foi resultado direto do reavivamento. O Reavivamento preparou as igrejas americanas para suportarem uma época de provações que veio logo depois. Por quarenta anos desde o início da guerra entre a França e os índios, em 1745, o povo das colônias ficou absorvido pela guerra, de um modo muito intenso, por toda esta época de agitações políticas e de guerra. A religião muito sofreu e teria sofrido muito mais se não fosse a preparação espiritual do povo, resultante do Reavivamento.


Enquanto prosseguia o Reavivamento, chegaram para as colônias muitos milhares de pessoas que vieram a exercer grande influência na história americana, tanto no aspecto religioso como sob outros aspectos: os escoceses-irlandeses. Houve dois grandes movimentos imigratórios : o primeiro, de 1713 a 1750; e o segundo, de 1771 a 1773. A maioria deles veio para as colônias centrais que formaram a linha mais avançada do país.


Muitos outros se estabeleceram na Pensilvânia e outros ainda se dirigiram para o sul, ao longo dos montes Apalaches para o oeste da Virgínia e da Carolina. Todos eles eram presbiterianos, muito fiéis e ligados às suas igrejas. Era gente de piedade e grande zelo, caráter forte e alto senso de independência.


Os alemães da Pensilvânia não foram alcançados pelo Reavivamento devido à barreira da língua. Em 1741, o Conde Zinzendorf visitou os moravianos daquela colônia, organizou-os eclesiasticamente e os encorajou à obra missionária, tanto entre os brancos como entre os índios. Verificando que havia milhares de alemães de várias seitas sem assistência religiosa, ele procurou trazê-los a um tipo de unidade religiosa. Este plano despertou o zelo sectário dos alemães em seu próprio país. Os Luteranos da Alemanha enviaram Henrique Muhlenberg que organizou os luteranos da Pensilvânia em Igrejas e Sínodos.


A Igreja Reformada da Holanda enviou Miguel Schlatter que realizou trabalho idêntico entre os alemães reformados daquela colónia.


O movimento metodista chegou à América em 1766. Naquele ano Felipe Embury que tinha sido pregador metodista na Irlanda, começou a pregar em Nova York. A partir dessa época, as sociedades metodistas multiplicaram-se e se desenvolveram rapidamente. Em 1771, Francisco Asbury foi indicado por Wesley para dirigir o metodismo americano. Sua capacidade de liderança, o seu zelo incansável e a cooperação dos seus colegas de ministério deram lugar a um crescimento muito rápido, mesmo durante o período de guerra e de lutas políticas. A força maior desse movimento, nesse tempo, estava no sul.


E comum ouvir-se dizer que a guerra pela independência das colônias surgiu da disputa sobre impostos. Mas o sentimento religioso muito contribuiu para o anseio de se libertarem dos laços do governo britânico. Os congregacionais e presbiterianos constituindo a maioria do povo, temeram que o governo britânico em breve estabelecesse a igreja oficial em todas as colônias, e de fato, já estava estabelecida em algumas, e exigisse de todos os habitantes a obediência à autoridade dessa igreja.


Visto como seus pais tinham vindo para a América a fim de fugirem exatamente de uma situação semelhante os descendentes nenhum desejo tinham de se submeter a essa exigência. Este sentimento contribuiu muito mais para o desejo de independência do que a geral indignação contra o Ato do Selo e outras medidas que impuseram os vários impostos.


III. OS ESTADOS UNIDOS

A - RECONSTRUÇÃO E REAVIVAMENTO APÓS A GUERRA DA INDEPENDENCIA

Todas as igrejas muito sofreram durante a guerra. Muitos dos seus membros morreram na luta e muitos outros sofreram moralmente com a vida militar. Em muitos casos, igrejas foram dispersas, seus ministros expulsos e os templos destruídos. Em virtude de os congregacionais e presbiterianos serem solidamente defensores da independência, seus ministros e igrejas eram os objetivos especiais do ataque dos britânicos.


De um modo geral a vida religiosa foi muito enfraquecida como sempre acontece durante e depois de uma guerra. A incredulidade e a indiferença religiosa se espalharam. O espírito anti-religioso da Revolução Francesa teve influência considerável, especialmente por causa do auxílio que a França prestou aos americanos durante a guerra. Durante as duas décadas seguintes o cristianismo americano teve menos vitalidade do que em qualquer outra época da sua história.


Apesar de tudo, o nascimento da nova nacionalidade demandava a reorganização das igrejas. A Igreja Anglicana das colônias eliminou sua ligação com a Igreja mãe, da Europa, e tomou o nome de Igreja Episcopal Protestante. O metodismo americano também se tornou independente e ao mesmo tempo consagrou seus primeiros superintendentes ou bispos, Thomas Coke e Asbury.


O Sínodo Presbiteriano tornou-se a Assembléia Geral da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América. Os congregacionais da Nova Inglaterra fundaram suas associações nacionais. A Igreja Católica Romana, que tinha, então, dezoito mil membros apenas, foi colocada sob a direção de um prefeito apostólico. americano que logo foi feito bispo.


Um dos maiores benefícios já alcançados pelo cristianismo na América foi a decisão tomada pela organização do governo dos Estados Unidos com relação à política religiosa do governo. A primeira emenda à Constituição (1791) determinava que não haveria religião reconhecida pelo Estado. O princípio da nova nacionalidade seria, em outras palavras: "uma Igreja livre num Estado livre".


A profunda fraqueza religiosa que se seguiu à guerra foi totalmente modificada em virtude de uma série de despertamentos que atingiu grande parte do país pelos fins do século XVIII e no início do século XIX. Em muitos lugares surgiu nova vida espiritual que se irradiou com muita força. Não havia líderes de notabilidade como no primeiro grande Reavivamento. As pregações eram realizadas, na maioria dos casos, pelos próprios pastores residentes nas cidades.


Este movimento foi duradouro, pois em algumas regiões os reavivamentos foram se sucedendo por uma geração. Foi mais acentuado na Nova Inglaterra, em Nova York e Ohio, que estavam sendo colonizadas por gente de Nova Inglaterra, como também foi notável no Kentucky e no Tennessee. Poucas foram as regiões do país que deixaram de sofrer sua influência.


Os reavivamentos fortificaram bastante, e em caráter permanente, a vida religiosa do país. Deram início a um longo período de atividade religiosa verdadeiramente agressiva. Foi de grande necessidade este fortalecimento das igrejas americanas em vista das grandes responsabilidades que tiveram de enfrentar com o desenvolvimento da nação.


B - O SÉCULO XIX ATÉ 1830

Ao iniciar-se o novo século chamam-nos a atenção alguns resultados definidos desses reavivamentos. As igrejas tiveram aumentado o número de seus membros. Em 1830, os metodistas eram sete vezes mais do que em 1800; os presbiterianos, quatro vezes mais; os batistas, três vezes mais e os congregacionais, duas vezes mais, apesar das grandes perdas provocadas pelo movimento Unitariano.


Surgiram vários novos grupos religiosos. Um, que tomou o nome de "Discípulos", foi formado por pessoas que tinham sido influenciadas pelos reavivamentos do oeste da Pensilvânia, da Virgínia e do Kentucky. Estes "Discípulos" repeliam as igrejas existentes porque elas tinham "credos humanos"; pregavam a união de todos os cristãos em bases unicamente bíblicas.


O nome que usavam era um protesto contra o denominacionalismo. A Igreja Presbiteriana de Cumberland foi fundada por ministros e gente residentes no Kentucky, eliminados da Igreja por causa das condições criadas pelos reavivamentos.


O aparecimento da corporação religiosa Unitariana foi, em um sentido, um dos resultados dos reavivamentos, porque eles salientaram certas diferenças teológicas que desde muito existiam no oeste do Massachusetts. Alguns ministros congregacionalistas e muitos leigos rejeitavam o ensino extremado relativo à pecaminosidade da natureza humana, do modo como era comumente ouvido nos púlpitos da Nova Inglaterra, e também negavam a divindade de Cristo.


No início do século, o campo religioso ficou dividido entre Unitarianos e Trinitarianos . Cerca de cem igrejas, perto de Boston, tornaram-se unitarianas. O movimento universalista surgiu por esse tempo na Nova Inglaterra e em outros lugares. Um poderoso movimento missionário nacional resultou dos reavivamentos. A população ia avançando para o oeste com muita rapidez. As igrejas enviaram muitos pregadores às novas colônias. Congregacionalistas e presbiterianos trabalhavam unidos no norte, isto é, na parte central e ocidental de New York e Ohio.


Os presbiterianos eram ativos na Pensilvânia, Virgínia, Kentucky e Tennessee. Os batistas e metodistas eram os mais eficientes evangelistas dentre todos, alcançando toda a fronteira, mais acentuadamente no sul e no sudoeste.


Surgindo na Inglaterra o movimento das Missões Estrangeiras, logo encontrou correspondência de sentimentos no cristianismo recém-vivificado da América. Samuel Mills, de Connecticut, tem a honra imperecível de ser o pioneiro do cristianismo americano no campo das missões mundiais. Ele foi o líder dos cinco estudantes do Colégio Williams que se diz terem considerado, numa reunião de oração em Haystack, o apelo em favor da evangelização de terras estrangeiras. ele também foi o líder dos "Irmãos", uma sociedade de voluntários pró evangelização dos pagãos, organizada no Colégio Williams, em 1808.


Os "Irmãos" foram todos ao Seminário Teológico de Andover, onde conseguiram a adesão de Adoniram Judson. O pedido que fizeram à Associação Congregacional de Massachusetts, relativamente ao sustento e orientação para os seus propósitos missionários, deu lugar à organização, em 1810, da Junta Americana de Enviados às Missões Estrangeiras. Esta Junta foi a princípio composta de Congregacionalistas da Nova Inglaterra, mas em 1812, incluiu vários membros presbiterianos e por muitos anos foi uma organização de ambas as denominações, de missões estrangeiras.


Em 1812, a Junta Americana enviou cinco missionários à índia. Durante a viagem, Judson e Lutero Rice aceitaram os pontos de vista batistas, do que resultou se separarem dos demais. Judson foi para Burma a fim de realizar ali a sua grande obra; e Rice voltou à América para inculcar nos batistas a visão da obra das missões. Sua atividade resultou na formação da Sociedade Missionária Batista, em 1814. Dentro de poucos anos, outras igrejas americanas alistaram-se: a Episcopal Protestante, a Reformada Holandesa e a Episcopal Metodista.


As Escolas Dominicais, segundo o modelo de Robert Raikes, de auxilio às crianças desprotegidas, e também de educação religiosa, apareceram nos Estados Unidos antes de 1790. Os reavivamentos desenvolveram este trabalho. A primeira Escola Dominical do tipo moderno, isto é, escola na igreja para ministrar ensino religioso, parece ter sido organizada em Pittsburgh, em 1800.

Durante a década iniciada em 1810, o novo impulso das igrejas deu origem à organização de muitas Escolas Dominicais desse tipo. Desde essa época, esta instituição tornou-se reconhecida como uma parte necessária e integral da vida da igreja. O fortalecimento deste trabalho resultou na organização da Associação das Escolas Dominicais da América, em 1824.


O tradicional interesse das igrejas americanas em matéria de educação foi desenvolvido pelas necessidades educacionais do Oeste e pela vida religiosa sempre crescente dessas igrejas. A fundação de colégios foi uma parte importantíssima da obra missionária nacional dessas igrejas, especialmente as Congregacionais, Presbiterianas e Episcopais.


"Dos quarenta colégios e universidades permanentes estabelecidos nos Est. Unidos entre os anos de 1780 e 1829, em todas as regiões do país, treze foram organizados e fundados por presbiterianos; quatro, pelos congregacionalistas; um, pelos dois grupos em cooperação; seis, pelos episcopais; um, pelos católicos; três, pelos batistas; um, pelos reformados alemães, e onze pelos Estados; e das instituições oficiais, quatro foram iniciadas pela influência presbiteriana".


Outro resultado educacional dos reavivamentos foi o estabelecimento de escolas para o preparo ministerial, seminários teológicos, para fazer face às exigências de um número maior de ministros bem preparados. O Seminário Teológico de Andover foi fundado em 1808 pelos congregacionalistas de Massachusetts. Durante os dezoito anos seguintes, foram estabelecidos quinze outros seminários por oito denominações.


Após o período do reavivamento nos quinze anos que abrangeram o início do século XIX e o "segundo Reavivamento", esses departamentos religiosos se tornaram freqüentes em várias partes do país, de 1810 em diante. Eles foram mais poderosos durante o decênio seguinte na Nova Inglaterra e em Nova York. A sua pregação resultou no mais poderoso movimento de revivificação religiosa jamais visto na cidade de Rochester, em 1830-31, a qual se estendeu por todo o norte, desde a Nova Inglaterra, até o Ohio. Esse movimento resultou em extraordinário crescimento espiritual e moral, como veremos.


C - 1830-1861
Cerca de 1830, surgiram na vida nacional modificações que afetaram a vida religiosa nos seus mais importantes aspectos. Entre 1830 e 1860 foi grande imigração européia. Por este motivo e por causa do avanço para o Oeste, houve rápido desenvolvimento no vale do Mississipe.


Foram anexados novos Estados, cresceu a população. A vida foi organizada. A força política do Oeste surgiu ao tempo do presidente Jackson. A indústria desenvolveu-se extraordinariamente e novas estradas de rodagem, estradas de ferro e canais foram construídos.


A luta contra a escravatura intensificou-se, orientando-se para a crise que surgiu depois de 1850. Contatos mais aproximados com a Europa trouxeram novas ideias políticas, sociais e religiosas. Alguns pensamentos religiosos modernos surgiram mesmo, na América. Tudo isto contribuiu para que este período fosse agitado, cheio de controvérsias e modificações, numa fermentação incansável de lutas dos mais variados aspectos.


Por esta época as igrejas protestantes levaram à execução uma vasta obra de Missões Nacionais. Surgiram novas igrejas e colégios evangélicos através de todo o vale do Mississipe, como também em outras regiões mais para o Oeste. O lançamento dos alicerces cristãos da sociedade neste enorme território, com suas imensas possibilidades, em poucos anos, é uma das maiores realizações da história cristã.


As igrejas alcançaram aquela visão que Lyman Beecher expressou nestas palavras quando, em 1832, deixou sua posição da mais avançada liderança religiosa no Leste para ser o diretor do novo Seminário Lame, em Cincinnati: "Plantar o cristianismo no Oeste (americano) é uma tarefa tão grande quanto seria plantá-lo no Império Romano, porém com maior permanência e poder".


Um resultado religioso direto da imigração foi o crescimento extraordinário da Igreja Católica Romana. Neste período ela multiplicou por dez o número dos seus membros, que subiu a mais de três milhões de pessoas e alcançou também uma poderosa influência correspondente. As igrejas luteranas aumentaram grandemente em número por causa da imigração alemã e escandinava.


Também durante esse tempo as controvérsias perturbaram a vida de muitas igrejas e provocaram divisão na igreja presbiteriana. A obra conjunta de presbiterianos e congregacionalistas nas missões nacionais trouxe para a igreja presbiteriana muitos precedentes congregacionalistas da Nova Inglaterra.


Daí terem-se espalhado consideravelmente as idéias teológicas que divergiam dos antigos postulados presbiterianos. Surgiram dois partidos: o progressista e o conservador. O primeiro, favorável às novas idéias e pronto para adaptar a sua organização às novas necessidades. O segundo ficou sustentando os antigos padrões tradicionais, tanto em doutrina como em governo.


Houve um rompimento em 1837. Duas igrejas, a da Escola Nova e a da Velha Escola, separados desde 1838, reuniram-se em 1869. Na Igreja Episcopal Protestante, uma controvérsia entre a "Alta Igreja" e a "Igreja Baixa", que surgira a partir de 1810, tornou-se bastante aguda neste período. Não obstante, esta igreja alcançou algum progresso e tomou posição para se tornar uma das principais entre as igrejas americanas.


A escravidão, sendo um assunto quase obrigatório, teve de afetar o pensamento das igrejas, como de toda a gente. Cerca do ano 1800, as igrejas, tanto as do Norte como as do Sul se opunham à escravidão, Isto é, como opinião geral. Foi quando uma modificação de caráter econômico provocou uma transformação. A invenção da máquina de fiar, que apareceu pouco antes de 1800 fez desenvolver enormemente a plantação de algodão, de sorte que no sul apareceu uma era de grande prosperidade.


A escravidão que era um meio de desenvolver a cultura do algodão tornou-se menos combatida e até mesmo defendida por muitos. As igrejas do Sul cessaram a sua oposição. No Norte, onde não havia escravidão, surgiu um sentimento anti-escravagista dentro das igrejas, embora não muito profundo ainda.


Em 1830, verificou-se outra mudança. O sul ficou determinado a manter e a estender a escravidão e as suas igrejas procuraram encontrar na Bíblia aprovação divina para, a escravatura. No norte, a oposição cresceu e as igrejas começaram a tomar a liderança deste movimento, embora não fossem todas unânimes. O poderoso reavivamento de 1830-31, resultante do trabalho de Finney, ficou ao lado da propaganda abolicionista, fortalecendo-a.


A partir de 1840, as igrejas do Norte aumentaram sua convicção de que era um grande mal a escravidão e resolveram lutar por extingui-la. Os batistas e metodistas dividiram-se, tanto no Norte como no Sul (1844-45) e noutras regiões onde habitavam. A Lei do Escravo Fugitivo de 1850, e o Ato Kansas-Nebraska, de 1854, conduziram o povo cristão do Norte a uma oposição muito forte contra a escravidão. A liderança das igrejas teve uma parte decisiva no propósito abolicionista do Norte.


As bebidas alcoólicas constituíram outra questão social, que as igrejas levantaram. No começo do século XIX, este mal dominava terrivelmente em todas as camadas sociais. A partir de 1810, houve um despertamento da consciência cristã neste sentido. Depois de 1820, teve início o movimento que continuou muito forte por vinte anos. Este foi um trabalho exclusivamente das igrejas, tanto dos ministros como dos membros. E foi muito mais forte após o reavivamento de 1830-31.


O objetivo desse movimento era acabar com todos os hábitos sociais que, praticamente, envolvessem o uso de bebidas alcoólicas e, assim, assegurar a abstinência individual; primeiro, de bebidas fortes; depois, de todas as bebidas que_ contivessem qualquer quantidade de álcool. Resultado foi que a embriaguez foi materialmente reduzida, houve regeneração de costumes e a quase totalidade das igrejas americanas tomou uma posição definida sobre essa questão. Após dez anos mais de grande prosperidade e intensa atividade comercial, veio, em 1857, uma queda econômica e tempos bastante difíceis.


Logo apareceram sinais de um despertamento religioso nas reuniões de oração, na cidade de Nova York, promovidas pelos leigos. Aqui teve início um reavivamento que se estendeu de Boston até Omaha, e, no Sul, até Washington. Em toda a parte este movimento apareceu como em Nova York: nos cultos de oração dos leigos.


Foi um movimento espontâneo sem organização ou evangelistas notáveis; dependia mais das orações do que de pregações e foi profundo e frutífero no seu caráter e resultados. Centenas de milhares de pessoas convertidas neste movimento se filiaram às igrejas. Os crentes leigos foram impulsionados ao serviço religioso como nunca na história da igreja. As igrejas foram assim fortalecidas para enfrentarem as duras provações da Guerra Civil.


D - 1861-1890

Durante a guerra civil as igrejas do Norte unanimemente apoiaram a causa do governo federal. Foram a isto influenciadas por um motivo novo, a preservação da Unidade Nacional, em adição ao velho motivo da abolição da escravatura. Com base nestas idéias a guerra foi considerada uma luta cujos objetivos estavam em harmonia com a vontade de Deus e portanto devia ter o apoio das igrejas. As igrejas do Sul estavam igualmente convencidas da justiça da causa sulista e prestaram a esta apoio idêntico.


A separação entre o Norte e o Sul motivou unicamente uma divisão eclesiástica na Igreja Presbiteriana da Velha Escola, a qual tinha membros, tanto nortistas como sulistas. Em 1861, o grupo sulista desta igreja separou-se e formou a Igreja Presbiteriana nos Estados Confederados da América, a qual depois da guerra veio a ser a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. Na Igreja Protestante Episcopal as dioceses do Sul saíram da comunhão com as do Norte, mas não houve divisão.


Após a guerra, a nação, no Norte e no Oeste, conseguiu um avanço com um novo e extraordinário poder. Os recursos ilimitados do país, as vastíssimas terras devolutas do Oeste, as urgentes necessidades da vida nacional provocadas pela guerra, as grandes esperanças do povo, combinaram-se para inaugurar uma era de grandes realizações e prosperidade. O pânico de 1873 não alterou o caráter geral desses tempos.


As igrejas participaram das atividades gerais. Foram prósperas no serviço social cristão e para tal tinham a energia espiritual e as riquezas do povo. As próprias igrejas participaram do otimismo geral. Os negros do Sul foram um novo campo em que as igrejas trabalharam ativamente, fundando novas igrejas, escolas e grandes instituições. As missões nacionais floresceram com mais vigor do que dantes, no Oeste, que agora já era o "Oeste-longínquo" (Far-West).


Novos colégios e seminários teológicos surgiam rapidamente. As missões estrangeiras, a partir de 1870, experimentaram um reavivamento mundial que coincidiu com o espírito e prosperidade das igrejas americanas. A união, em 1869, das igrejas Presbiterianas da Nova e da Velha Escola foi um grande estímulo para outras atividades religiosas.


Eram freqüentes os reavivamentos. D. L. Moody estava no apogeu do seu trabalho evangelístico, e as igrejas cresciam em número. Talvez o mais significativo de tudo isto foi o crescimento marcante da liderança e do trabalho leigo. Isto se manifestou de modo especial nas Escolas Dominicais, onde surgiu um grande desenvolvimento do trabalho e a aplicação de novos métodos.


As Associações Cristãs de Moços então organizadas por todo o país, eram muito ativas. As mulheres assumiram uma liderança maior por intermédio das Auxiliadoras Femininas que muito fizeram em prol da causa missionária e outras. O movimento da Mocidade surgiu com a primeira "União de Moços Cristãos Evangélicos", em 1881, a qual, naquela década se desenvolveu muito rapidamente.


E - 1890- 1929

Modificações importantes na vida nacional que ocorreram antes e depois de 1890 afetaram vitalmente a religião e as igrejas. Além disso, surgiram idéias religiosas avançadas. As mudanças na vida nacional foram: um aumento extraordinário de imigração, que desta vez procedeu mais do leste e do sul da Europa do que do ocidente, como se verificara dantes; uma expansão industrial que superou a qualquer coisa jamais conhecida na América; um rápido desenvolvimento das cidades provocado pela imigração e pela indústria e um conseqüente declínio da população rural; o desaparecimento de fronteiras, dificuldade que tinha existido através de toda a história americana; conflitos mais agudos e em maior número entre empregados e empregadores.


As novas condições de vida das populações tiveram um efeito direto sobre as igrejas. Muitas igrejas na cidades, sentindo-se cercadas de pessoas para as quais elas eram estranhas, mudaram-se para outras localidades. Algumas modificaram seus métodos para alcançarem as "pessoas das vizinhanças. Muitas igrejas das vilas e do interior ficaram seriamente enfraquecidas por causa da emigração dos seus membros para as cidades. Ganharam terreno novos métodos de estudos bíblicos e uma nova concepção quanto à inspiração da Bíblia. As ciências naturais, com seus ensinos sobre a origem da terra e do homem, alteraram o pensamento religioso de vários modos.


Apesar desses fatores de desordem, as igrejas protestantes estiveram em grande atividade, a partir de 1890 e nos começos do século XX. As igrejas viam crescer o rol dos seus membros, eram freqüentes as campanhas evangelísticas, o movimento da mocidade estava em plena efervescência, as missões nacionais e estrangeiras avançavam vigorosamente.


Os anos de 1900 a 1915 têm sido chamados a "era das cruzadas", em virtude dos empreendimentos organizados amplamente entre as igrejas, tais como: o Movimento Missionário dos Leigos e o Movimento para o Avanço Religioso, etc. A primeira guerra mundial provocou um declínio das atividades religiosas. Mas as igrejas, como um todo, contribuindo para a causa da guerra, tiraram de transferir para as causas dessa mesma guerra muitas das suas energias.


Logo depois do conflito veio a maior das "Cruzadas", o Movimento Mundial Inter-Eclesiástico. Concebido em vasta escala, este movimento promoveu auxílio adequado a todos os empreendimentos cristãos e oportunidade de serviço cristão onde quer que fosse necessário. Tal planejamento arrojado, porém, não tinha sido delineado sabiamente e por isso resultou em desilusão, por causa da situação de egoísmo que persistiu de 1920 em diante. Não obstante este período de dificuldades, as atividades eclesiásticas seguiram as mesmas linhas e com a mesma força até 1929.


Vários novos aspectos da vida da igreja neste período merecem destaque. O Movimento da Unidade Cristã tornou-se mais forte na América do que no resto do mundo cristão. O Concílio Federal das Igrejas de Cristo na América, organizado em 1908, reuniu a maioria das igrejas cristãs para uma cooperação e desenvolveu a sua influência. Surgiram nos Estados muitas federações de igrejas, como também em certas regiões e cidades. Isto contribuiu para fortalecer a obra interdenominacional.


Houve várias uniões de igrejas, sendo a mais importante a união da Igreja Presbiteriana U.S.A. com a Igreja Presbiteriana de Cumberland em 1906, e a Organização da Igreja Luterana Unida em 1918. As igrejas americanas estavam na liderança do movimento ecumênico.


A partir de 1900, houve um constante crescimento do Cristianismo Social, isto é, uma nova compreensão da parte do povo cristão com relação às condições sociais e econômicas; uma nova concepção acerca dos males sociais; a convicção de que a justiça social era da vontade de Deus e que, portanto, a Igreja Cristã deveria lutar por alcançar aquele propósito.


Isto apareceu claramente numa longa série de declarações sobre questões sociais, "credos sociais" publicados pelas igrejas, começando com as declarações da Conferência Geral Metodista e o Concílio Federal em 1908. Ao lado dessas afirmações houve muito estudo e discussão sobre este assunto, nas igrejas, por meio de publicações de folhetos, jornais e livros. Além disso o trabalho das igrejas no campo social foi muito ampliado. Este movimento foi fortalecido com a Primeira Guerra Mundial e tanto afetou o Protestantismo como a Igreja Católica Romana. Apesar da oposição e dificuldades o movimento prosseguiu até 1929, sempre com maior visão.


O culto tornou-se muito importante em muitas igrejas durante esse período. Formas de culto mais piedosas e atraentes foram introduzidas em larga escala. Em certas igrejas não litúrgicas apareceram fórmulas de oração e manuais de culto. Outro aspecto importante da vida das igrejas foi o grande esforço que realizaram no campo da educação religiosa, que foi ministrada tanto aos domingos como durante os demais dias da semana.


As modificações do pensamento religioso, por volta de 1890, a que nos referimos, deu lugar ao aparecimento de uma teologia liberal, um tipo de pensamento que era verdadeiro quanto ao Cristianismo histórico, mas defendia uma nova concepção quanto à inspiração da Bíblia com relação às novas descobertas da ciência.


Contra estes conceitos surgiu, a partir de 1910, o fundamentalismo, movimento que dava ênfase à exatidão e inspiração literal da Bíblia. Uma controvérsia amarga perturbou o protestantismo americano a partir de 1920, vindo quase a desaparecer em 1935.

Neste período a Igreja Católica Romana continuou a sua marcha. O seu grande crescimento numérico foi de certo modo retardado a partir de 1910, pela restrição da imigração. Mas esta igreja fortaleceu sua organização e desenvolveu sua atividade de todos os modos possíveis. Foram construídos muitos templos e fundadas instituições. Foram grandemente desenvolvidos a obra educativa e os serviços sociais; foi ampliado o número de periódicos e livros. A influência política e social da igreja romana foi firmada.


Durante esse tempo a igreja ortodoxa do oriente, pela primeira vez, tornou-se um elemento considerável na vida religiosa dos EE. Unidos por causa da imigração.
As várias igrejas dessa comunhão mantinham para com as igrejas protestantes uma atitude muito diferente daquela da igreja Católica Romana.


F - 1929 - 1940
Voltando a vista para a depressão de 1929, uma das maiores catástrofes econômicas da história, convencemo-nos de que ela marcou uma etapa decisiva, um ponto revolucionário na vida religiosa. Ainda não podemos ver, com toda a clareza, os resultados daquela desgraça. E os terríveis desastres que têm sobrevindo ao mundo desde então, escurecem nossa visão. Todavia não é difícil observarem-se certos resultados. .As igrejas americanas sofreram uma decisiva diminuição das suas rendas econômicas, redução esta que, de algum modo, tem limitado o trabalho e os planos dessas igrejas.


Vários aspectos do pensamento religioso têm-se modificado profundamente. Há muito menos confiança na capacidade humana para tornar este mundo, melhor, e muito mais confiança em Deus. O movimento de Unidade Cristã está muito mais fortalecido. Esta é a resposta do Cristianismo às dissensões que dividem o mundo. Verificaram-se cinco importantes uniões eclesiásticas: as Igrejas Congregacionais com as Cristãs, em 1931; a Igreja Americana com a Luterana, em 1931; os Ortodoxos com os Irmãos Hicksitas, em 1933; os Evangélicos com as Igrejas Reformadas Alemãs, em 1934; os Metodistas do Norte com os do Sul, em 1939. O Movimento Ecumênico tem sido uma força considerável nos Estados Unidos.


O espírito cristão nas igrejas americanas tem alcançado progresso em duas outras linhas fundamentais. Depois de 1929, os empreendimentos missionários foram, de algum modo, perturbados, tanto nos Estados Unidos como em toda a parte. Houve uma profunda alteração quanto a muitas questões relacionadas com as missões, que vieram afetar os métodos até então adotados.

As forças missionárias têm sido bastante reduzidas por falta de contribuição e os campos têm sido também reduzidos em virtude das grandes guerras que afetaram a vida no mundo inteiro. Apesar de tudo, não se tem verificado nenhum passo atrás no propósito missionário das igrejas. Nem tão pouco há qualquer passo à retaguarda no que respeita às obrigações do cristianismo para com a sociedade.


Há de fato, menos confiança no que o homem no que o homem pode fazer e um sentimento mais forte de dependência de Deus. Há igualmente uma visão mais clara do mal no mundo. Porém, mesmo nos tempos de tragédia e ruína, as igrejas mantêm seu propósito de lutar pela realização da vontade de Deus na vida humana.


BIBLIOGRAFIA

• Sweet: "Story of Religion in America."
• Rowe: "Story of Religion in the United States."
• A. H. Newman: "History of the Baptists in United States."
• W. Walker: "History of the Congregational Churches in U.S.A."
• Garrison: "Religion Follows the Frontier."
• Manross: "History of the American Episcopal Church."
• Wentz: "The Luteran Church in American History."
• Sweet: "Methodism in American History."
• R. E. Thompson: "History of the Presbyterian Churches in the United States."
• Gorman: "History of the Roman Catholic Church in the United States."
• Mode: "The Frontier Spirit in American Christianity."
• H. R. Niebuhr: "The Kingdom of God in America."
• Garrison: "The March of Faith."
• Atkins: "Religion in our Times."
• Gabriel: "Pageant of American Life."
• Bassett: "Short History of the United States."

Leia também
01 - A preparação para o Cristianismo
02 - O primeiro século
03 - A igreja antiga (100 - 313 A.D)
04 - A igreja antiga (313 - 590 A.D)
05 - A igreja no início da idade média (590 - 1073 A.D.) - PARTE 1
06 - A igreja no início da idade média (590 - 1073 A.D) - PARTE 2
07 - A igreja no apogeu da idade média (1073 - 1249 A.D.) - PARTE 1
08 - A igreja no apogeu da idade média (1073 - 1249 A.D.) - PARTE 2
09 - A igreja no apogeu da idade média (1073 - 1249 A.D.) - PARTE 3
10 - Decadência e renovação na Igreja Ocidental (1294 - 1517 A. D.)
11 - Revolução e reconstrução (1517 - 1648 A. D,) - Parte 1
12 - Revolução e reconstrução (1517 a 1648 A.D.) - Parte 2
13 - Revolução e reconstrução (1517 a 1648 A.D.) - Parte 3
14 - O cristianismo na Europa (1648 a 1800 A.D.) - Parte 1
15 - O cristianismo na Europa (1648 a 1800 A.D.) - Parte 2
16 - O século dezenove na Europa
17 - O século vinte na Europa
18 - O cristianismo na América


Poderá também gostar de:

* História da Igreja
* História da Igreja: O século dezenove na Europa
* História da Igreja: O Século vinte na Europa
* História da Igreja: Decadência e Renovação na Igreja Ocidental (1294- 1517 A.D.)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amigo verdadeiro!

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Amigo verdadeiro!
1 - Amigo não é aquele que diz vá em frente mas aquele que diz vou contigo
2 - Amigo não é aquele que enxuga suas lágrimas, e sim aquele que não as deixa cair.
3 - Amigo de verdade é aquele que transforma um pequeno momento em um grande instante
4 - Amigos são como flores cada um tem o seu encanto por isso cultive-os
5 - O melhor amigo é aquele com quem sentamos por longas horas, sem dizer uma palavra e ao deixá-lo temos a impressão de que foi a melhor conversa que já tivemos

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Milagre da Vida

Como qualquer mãe, quando Karen soube que um bebê estava a caminho, fez todo o possível para ajudar o seu outro filho, Michael, com três anos de idade, a se preparar para a chegada.

Os exames mostraram que era uma menina, e todos os dias Michael cantava perto da barriga de sua mãe.
Ele já amava a sua irmãzinha antes mesmo dela nascer.
A gravidez se desenvolveu normalmente. No tempo certo, vieram as contrações.
Primeiro, a cada cinco minutos; depois a cada três; então, a cada minuto uma contração.
Entretanto, surgiram algumas complicações e o trabalho de parto de Karen demorou horas.
Todos discutiam a necessidade provável de uma cesariana.
Até que, enfim, depois de muito tempo, a irmãzinha de Michael nasceu.
Só que ela estava muito mal.
Com a sirene no último volume, a ambulância levou a recém-nascida para a UTI neonatal do Hospital Saint Mary.
Os dias passaram. A menininha piorava. O médico disse aos pais:
"Preparem-se para o pior. Há poucas esperanças".
Karen e seu marido começaram, então, os preparativos para o funeral.
Alguns dias antes estavam arrumando o quarto para esperar pelo novo bebê.
Hoje, os planos eram outros.
Enquanto isso, Michael todos os dias pedia aos pais que o levassem para conhecer a sua irmãzinha.
"Eu quero cantar pra ela", ele dizia.
A segunda semana de UTI entrou e esperava-se que o bebê não sobrevivesse até o final dela.
Michael continuava insistindo com seus pais para que o deixassem cantar para sua irmã, mas crianças não eram permitidas na UTI.
Entretanto, Karen decidiu.
Ela levaria Michael ao hospital de qualquer jeito.
Ele ainda não tinha visto a irmã e, se não fosse hoje, talvez não a visse viva.
Ela vestiu Michael com uma roupa um pouco maior, para disfarçar a idade, e rumou para o hospital.
A enfermeira não permitiu que ele entrasse e exigiu que ela o retirasse dali.
Mas Karen insistiu: "Ele não irá embora até que veja a sua irmãzinha!"
Então ela levou Michael até a incubadora.
Ele olhou para aquela trouxinha de gente que perdia a batalha pela vida.
Depois de alguns segundos olhando, ele começou a cantar, com sua voz pequenininha:
"Você é o meu sol, o meu único sol.
Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro..." (Sunshine)

Nesse momento, o bebê pareceu reagir.
A pulsação começou a baixar e se estabilizou.
Karen encorajou Michael a continuar cantando.
"Você não sabe, querida, quanto eu te amo. Por favor, não leve o meu sol embora..."
Enquanto Michael cantava, a respiração difícil do bebe foi se tornando suave.
"Continue,querido!", pediu Karen, emocionada.
"Outra noite, querida, eu sonhei que você estava em meus braços...
" O bebê começou a relaxar. "Cante mais um pouco, Michael.
" A enfermeira começou a chorar.
"Você é o meu sol,o meu único sol.
Você me deixa feliz mesmo quando o céu está escuro...Por favor, não leve o meu sol embora..."
No dia seguinte, a irmã de Michael já tinha se recuperado e em poucos dias foi para casa.

O Woman's Day Magazine chamou essa história de O milagre da canção de um irmão. Os médicos chamaram simplesmente de milagre.
Karen chamou de milagre do amor de Deus. Nós estamos chamando de O Milagre da Vida...

NUNCA ABANDONE AQUELE QUE VOCÊ AMA. O AMOR É INCRIVELMENTE PODEROSO.
AME ACIMA DE QUALQUER COISA. ORE,
CANTE... E NÃO SE ESQUEÇA... SORRIA !!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Deus Quer Atenção, Não Produção

Deus Quer Atenção, Não Produção!



“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma...” (Dt 10.12)



“Pois não falei a vossos pais no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios. Mas isto lhes ordenei: Dai ouvidos à minha voz... Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos...” (Jr 7.22-24).



Desde que criou o homem à sua imagem, Deus definiu duas verdades que seriam inerentes à sua essência: por um lado, ele seria o ápice da criação como representante do Criador do Universo e, por outro, teria de depender totalmente do próprio Deus para conseguir exercer essa função primordial de sua existência. Um fato o exalta, o outro o humilha. Ao mesmo tempo em que ele é o procurador de Deus para todo o restante da criação, sem contato contínuo e vivo com Deus ele não consegue fazer nada de valor!



O drama da humanidade, então, gira em torno deste conflito: o homem, desde que atendeu à tentação da serpente de tentar ser como Deus, comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal, quer produzir alguma coisa para provar seu valor e reforçar sua identidade. Deus, em contrapartida, só quer que o homem desista de todos esses esforços inúteis e volte à missão inicial de focar toda a atenção no Criador, vivendo a partir dessa única fonte de vida e inspiração.



Deus só pede tudo!



Na passagem acima, Moisés argumenta apaixonadamente com o povo de Israel dizendo: “Que é que o Senhor requer de ti?” Deus não quer nosso esforço, nosso trabalho, nossas boas obras. Ele quer nossa atenção ininterrupta e irrestrita a uma só coisa – ELE MESMO! “Que temas ao Senhor... que andes em todos os seus caminhos e o ames e sirvas ao Senhor... de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Que é que o Senhor pede de nós? Tudo! Todo o coração e toda a alma, todo o nosso amor e todo o nosso temor!



Será que isso não é pedir demais? Será que não é uma carga muito pesada? De acordo com a lógica de Moisés, é uma tremenda barganha! Ele usa a expressão de um bom vendedor: Que é que o Senhor pede? Quanto custa esse produto? Uma mixaria! Uma ninharia! Mas como nosso TUDO pode ser avaliado tão baixo assim? Por dois motivos: primeiro, porque deveria ser extremamente fácil amar a Deus de todo o coração já que ele nos criou para isso! Qualquer outra atitude seria desvirtuar nosso propósito natural. Assim como o peixe nasce nadando, o homem deveria nascer amando a Deus! O segundo motivo de ser um negócio tremendamente vantajoso é a desproporção entre o produto e o pagamento: somos chamados a dar tudo do nosso nada para recebermos em troca todos os recursos do Dono do Universo! E ele não pede que façamos alguma tarefa árdua e ingrata – apenas que o amemos e o temamos de todo o coração.



Se o Espírito abrir seu entendimento, você perceberá que esse clamor divino por nossa atenção atravessa toda a História e toda a Bíblia. “Filho meu, dá-me o teu coração...” (Pr 23.26). “Ouve-me, povo meu, e eu te admoestarei; ó Israel, se me escutasses!” (Sl 81.8). “Oxalá me escutasse o meu povo!” (Sl 81.13). “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças” (Mc 12.30). “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” (Mt 11.29). Tragicamente, o homem tenta dar qualquer coisa a Deus, menos isso. Esse é o tema central do romance entre Deus e a humanidade.



Jesus e Buda – soluções diferentes para o mesmo problema



Cada um de nós, ao entrar neste mundo, recebe certa quantidade de força física, força mental, força psíquica, força emocional, força de vontade. Deus não cobrará de nós algo que não nos deu. O grande diferencial, no último dia, não será nossa produção, mas a maneira como aplicamos essa força limitada que recebemos. Podemos aplicar toda nossa força em um alvo errado ou em um alvo certo. Aí, é fácil saber como será o desfecho.



A maior tragédia de nossos dias, porém, não é essa. Nosso maior inimigo, hoje, é a dispersão da atenção, a perda de foco, o escoamento vagaroso mas incessante de nossas forças vitais em múltiplas direções. Dessa forma, mesmo que tenhamos bons objetivos e maravilhosas propostas, nosso saldo final será próximo a zero.



É por esse motivo que Jesus nos alerta: “Não vos inquieteis!” Em outras palavras: “Não vos preocupeis!” ou, ainda, “Não vos distraiais!” (Mt 6.31). O seu conselho é que não demos atenção às muitas coisas (à lista de “todas estas coisas”), mas que busquemos uma coisa só: O SEU REINO E A SUA JUSTIÇA. Se fizermos isso, “todas estas coisas” nos serão acrescentadas (Mt 6.33).



A ênfase de muitas religiões orientais, em especial do budismo, é eliminar totalmente as preocupações com a vida material. Dizem que Gautama Buda sentou-se debaixo de uma árvore e pôs-se a meditar sobre a causa de todo o sofrimento. Chegou à conclusão de que os desejos são a fonte de todo o sofrimento da humanidade e que, consequentemente, se o homem conseguisse acabar com todos os seus desejos, daria fim ao sofrimento. Chamou esse estado de não ter desejo de nirvana e o estabeleceu como alvo máximo para todos os seus seguidores.



Como vimos acima, Jesus tem outra orientação. Apesar de concordar que a fonte do sofrimento seja nosso apego e desejo por coisas e experiências palpáveis, ele não diz que a solução é acabar com o desejo, o querer, a vontade. Pelo contrário, ensina-nos a pegar todo o nosso querer, anseio e vontade fragmentados e reuni-los em torno de uma coisa só – Deus e sua vontade! A solução não é deixar de querer – na verdade, devemos aumentar o querer, só que não mais por múltiplas coisas sem valor permanente, mas pelo ÚNICO no Universo que tem valor intrínseco.



Três fatores para dar fruto



Em sua grande parábola sobre o semeador, Jesus ressalta três fatores decisivos para que haja um resultado positivo em nossa vida: a semente, a terra e a exclusividade. Sem a semente, a terra pode ser boa ou ruim; não haverá fruto algum. Mas, se a semente for boa, entrará o segundo fator fundamental: a terra. Se a terra for dura, a semente nem chegará a germinar. Se a terra tiver uma camada fina apenas, a semente germinará, mas não vingará.



Porém, mesmo que a terra seja boa, pode ser que não dê fruto! Como pode acontecer isso? Semente boa e terra boa não garantem uma boa colheita? De acordo com Jesus e qualquer agricultor, a resposta é NÃO! Por quê? Porque existem espinhos e ervas daninhas. Apesar de a terra ser boa, a semente não frutifica porque a força da terra é roubada por outras plantas. Jesus diz que as ervas daninhas são “os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas” (Mt 13.22) – em outras palavras, AS DISTRAÇÕES. Para ter uma boa colheita, para que nossa vida termine com um saldo positivo, é preciso haver boa semente, boa terra e EXCLUSIVIDADE.



E isso nos leva a uma ação prática, constante e indispensável para uma boa colheita: dizer NÃO, todo dia, para muitos convites, oportunidades, propostas e tentações. Na agricultura, chamam isso de capinar a lavoura. Quanto melhor a terra, maior a presença de ervas daninhas e mais constante a necessidade de arrancá-las. Quanto mais inteligentes, talentosos, jovens e habilidosos nós formos, mais precisaremos aprender a dizer NÃO! Do contrário, correremos o perigo de dedicar-nos a Deus só quando nos restarem as sobras – quando estivermos velhos, fracos e sem força, quando não houver tantas demandas sobre nosso tempo. É claro que Deus quer nossa dedicação nessa época também, porque ele quer TUDO, mas devemos dar-lhe não só nossos últimos anos, mas também as primícias, o melhor, o mais precioso de tudo o que ele investiu em nós quando nos criou.



Mesmo a terra boa que consegue produzir fruto é classificada, por Jesus, de várias formas: ela pode produzir a 30%, a 60% ou a 100%. Isso significa que a Palavra e o Espírito de Deus que recebemos têm imenso potencial, mas o fruto que produzirão em nossa vida depende da proporção e da intensidade de atenção que lhes foi dedicada. Quantos minutos, horas, dias e até anos de nossa vida são desperdiçados por não ouvirmos a voz de Deus? Consequentemente, perdemos oportunidades preciosas que Deus poderia ter usado para gerar fruto! Que porcentagem de produtividade você gostaria de oferecer a Deus?



Há um exemplo no Velho Testamento e outro no Novo que ressaltam a importância de se fugir das distrações para obter bom êxito em uma missão. Quando Eliseu mandou Geazi para ressuscitar o filho da sunamita, ele lhe deu as seguintes instruções: “Cinge os teus lombos, toma o meu bordão na mão, e vai. Se encontrares alguém, não o saúdes; e se alguém te saudar, não lhe respondas...” (2 Rs 4.29). Ao enviar os setenta discípulos de dois em dois para preparar seu caminho, Jesus disse-lhes: “Não leveis bolsa, nem alforge, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho” (Lc 10.4). A ideia, em ambos os casos, é a importância de se ter foco, atenção total no alvo para desempenhar, com sucesso, uma missão encomendada por Deus. Até mesmo uma saudação pode servir de distração e fazer vazar a unção.



Terminando, faríamos bem em refletir sobre as exortações de Paulo para Timóteo:



“Até que eu vá, aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino. Não negligencies o dom que há em ti... Ocupa-te destas coisas, dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.13-16).



Oremos usando as palavras desta linda música de Aline Barros:



Sonda-me, Senhor, e me conhece, quebranta o meu coração
Transforma-me conforme a tua palavra

E enche-me até que em mim se ache só a ti

Então, usa-me, Senhor, usa-me



Refrão

Como um farol que brilha à noite
Como ponte sobre as águas
Como abrigo no deserto
Como flecha que acerta o alvo
Eu quero ser usado, da maneira que te agrade
Em qualquer hora e em qualquer lugar, eis aqui a minha vida
Usa-me, Senhor, usa-me



Sonda-me, Senhor, e me conhece, quebranta o meu coração
Transforma-me conforme a tua palavra
E enche-me até que em mim se ache só a ti
Então, usa-me, Senhor, usa-me



Refrão

Sonda-me, quebranta-me
Transforma-me, enche-me e usa-me, Senhor.


por Harold Walker